Mics
"Pensamentos, como cabelos, também acordam despenteados"
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Sonifera ilha
Parecia que as palavras não conseguiam significar nada alem de fonemas naquela conversa. Joao falava de seus sonhos e maria de suas dores. Enquanto ele dizia que queria ir a Paris, ela respondia que a vida andava uma droga. Joao queria ter filhos, Maria queria ser uma ilha perdida no atlantico.
Psicose
E lá estava Ela, feliz e alegre, se sentindo livre de preconceitos e olhares julgadores. A música fazia seu corpo balançar. Braços erguidos de puro êxtase. De repente Ele entra no box e olha seu corpo com atenção. Ela tenta se esconder, pergunta o que faz ali. Ele nada diz. Apenas a observa. Ela tenta fazer piada, rir da situação e da excitação crescente.
Mas de repente a água que jorrava quente por suas costas virou gelo com tais palavras:
- Teu corpo continua avantajado!
Mas de repente a água que jorrava quente por suas costas virou gelo com tais palavras:
- Teu corpo continua avantajado!
Vingança
Todos os dias ele olhava o correio com a esperança de encontrar alguns miseros bytes que mostrassem que nao era apenas mais um na superficie terrestre.
Entre ofertas de viagens, noites de cupido e cobranças ele se cobrava porque não recebia nenhuma resposta.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Por isso escrevo
Não consigo escrever quando me sinto bem. A felicidade, ainda que volátil, embota meu cérebro, impedindo que eu a deixe transparecer ainda que em poucos fonemas.
No fundo acho que temos tanto medo de ser felizes que, quando o somos, evitamos mostrar. Talvez por superstição - vá que alguém coloque olho gordo naqueles momentos - ou egoismo. A felicidade é minha e não de mais ninguém.
As dores gostamos de dividir com muitos. Há um estranho prazer em mostrar ao mundo que estamos mal. Contos, poemas, musicas nascem da perturbação de sentimentos de seus autores. Me cite um grande clássico que tenha nascido de um estado de espirito de puro nirvana? Escrever exorciza os medos,as frustrações, as dores, a raiva e suas angustias.
Por isso escrevo.
No fundo acho que temos tanto medo de ser felizes que, quando o somos, evitamos mostrar. Talvez por superstição - vá que alguém coloque olho gordo naqueles momentos - ou egoismo. A felicidade é minha e não de mais ninguém.
As dores gostamos de dividir com muitos. Há um estranho prazer em mostrar ao mundo que estamos mal. Contos, poemas, musicas nascem da perturbação de sentimentos de seus autores. Me cite um grande clássico que tenha nascido de um estado de espirito de puro nirvana? Escrever exorciza os medos,as frustrações, as dores, a raiva e suas angustias.
Por isso escrevo.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
No rim
E ainda há quem não acredite em astrologia...
O 8 de Ouros emerge do Tarot como arcano conselheiro para este momento de sua vida, Barbara, sugerindo ser este um momento mais do que adequado para que você identifique as partes da sua vida que porventura entraram em estagnação. É chegada a hora de romper com esta estagnação, descobrindo no mais profundo da própria alma uma série de recursos que lhe permitirão viver a vida com muito mais prazer. É provável que você, por puro hobby, comece uma nova atividade e que isso lhe disponha novamente a um desejo de viver com mais intensidade. Você também poderia pensar em conhecer novos lugares e se abrir à amizade com novas pessoas. Esta renovação, ainda que seja profissional ou estudantil, termina afetando positivamente outras áreas mais abstratas da sua vida, como a espiritual e principalmente a afetiva.
O 8 de Ouros emerge do Tarot como arcano conselheiro para este momento de sua vida, Barbara, sugerindo ser este um momento mais do que adequado para que você identifique as partes da sua vida que porventura entraram em estagnação. É chegada a hora de romper com esta estagnação, descobrindo no mais profundo da própria alma uma série de recursos que lhe permitirão viver a vida com muito mais prazer. É provável que você, por puro hobby, comece uma nova atividade e que isso lhe disponha novamente a um desejo de viver com mais intensidade. Você também poderia pensar em conhecer novos lugares e se abrir à amizade com novas pessoas. Esta renovação, ainda que seja profissional ou estudantil, termina afetando positivamente outras áreas mais abstratas da sua vida, como a espiritual e principalmente a afetiva.
Anjos
Vc ja parou para pensar nos milhares de insetos que nesse momento estão embaixo dos seus pes nas tubulações de esgoto instaladas abaixo das calçadas? Sao milhares de baratas, ratos e aranhas caminhando livremente bem embaixo dos nossos pés e que nem percebemos.
Enquanto caminhamos fagueiramente com nossos sapatos de couro italiano ratazanas cruzam os subterrâneos digerindo dejetos descartados pelos vizinhos do andar de cima.
Enquanto caminhamos fagueiramente com nossos sapatos de couro italiano ratazanas cruzam os subterrâneos digerindo dejetos descartados pelos vizinhos do andar de cima.
Introspecção
Todos os dias lia acordava e lia o jornal. Ler para Lia era abrir uma fresta para um mundo que lhe parecia muito estranho. Lia não conseguia entender por que o sol nao brilhava todos os dias em sua alma. Por isso lia sempre a previsão do tempo. Quem sabe entre precipitações e possibilidades de chuva e temporal o sol transpareceria por entre as cortinas cinzas que lhe nublavam os atos.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Agora vc vai ouvir aquilo que merece
Quantas vezes você já teve vontade de falar isso num único dia? Tenho certeza eu você nunca parou para fazer essa conta, mas certamente já teve vontade de dizer isso inúmeras vezes. Seja no trabalho, com amigos, na vida social e até mesmo para aquele desconhecido que passou por vc mais cedo.
Dizer aquilo que você merece ouvir não é apenas xingar, esbravejar, praguejar e vociferar impropérios assim do nada. É reagir quando se depara com injustiças, com grosserias e descasos. Não ficar quieto frente a dor alheia, o sofrimento e a indiferença. Discordar do pensamento coletivo de que aquilo está correto quando não o for. Dizer “basta” para tudo aquilo que te agride, te machuca.
Mas falar o que as pessoas merecem não é simples. São tantos os escudos, carapaças e coletes a prova de felicidade, surpresas, decepções e tristezas para despir que muitas vezes não conseguimos nem mesmo externar a mais singela alegria de sentir o sol batendo no rosto e abrir um sorrisão, daqueles bem bobos. São tantas convenções-repressões sociais que tememos esboçar um sorrisinho de canto de boca para aquele idoso ou criança que passa por vc todos os dias.
Se pudéssemos olhar para nosso estomago no final do dia veríamos a quantidade de sapos engolidos durante o dia. Todos com a pele meio retesada pelas inúmeras vezes que engolimos em seco. Aquele ronco que vc confunde com fome é na verdade um coacho daquele bufo mal digerido por não falar o que aquele ali do seu lado merecia ouvir.
Vai lá, tenta, não é difícil. Só o que você economizará em tratamentos estomacais por tanto engolir sapos na vida compensará esse esforço.
Em BG, Judiaria, com Arnaldo Antunes
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
as delicias da mudança
As mudanças surgem quando menos esperamos. Pequenos gestos, alterações gestuais, imbroglios mentais. O que fazer com ela é a questão fremente. aceitar as diferenças, interpretar sinais, degustar as pequenas migalhas que a deixam transparecer são uma tortura. a indiferença frente a elas lhe causa nauseas. dores profundas, cicatrizes inconfundiveis de uma dor facilmente esquecivel.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Por que acaba um casal?
| Nossa cultura romanceia o namoro, mas imagina o casamento como se fosse uma "tumba do amor" |
NO DOMINGO passado, Dia dos Namorados, um amigo mandou flores para sua mulher com este bilhete: "Posso ser seu namorado ou continuo sendo apenas seu marido?".
A frase foi bem recebida. É que, para nós, "namorado e namorada" pode ser muito mais do que "marido e mulher". Em regra, nossa cultura romanceia o namoro, mas imagina o casamento como uma tragicômica "tumba do amor".
Na última sexta, na Academia de Ideias de Belo Horizonte, durante um bate-papo com João Gabriel de Lima sobre meu último livro, ao falar de amor e casais, eu propus o seguinte: 1) todos tendemos a amarelar diante de nosso próprio desejo; 2) o casamento nos permite acusar alguém de nossa própria covardia -assim: eu quero fazer isso ou aquilo, mas tenho preguiça e medo; por sorte, agora que me casei, posso dizer que desisto porque assim quer minha parceira; 3) um casal, para valer a pena, não deveria servir para justificar as desistências de nenhum de seus membros; ao contrário, ele deveria potencializar os sonhos e os desejos de cada um dos dois.
Uma mulher me lembrou, com razão, que até esse tal casal que vale a pena pode acabar. E perguntou: por quê?
Existe uma sabedoria popular resignada sobre a duração de um casal. Os sentimentos do namoro viveriam, no casamento, uma decadência progressiva inelutável. E os casais continuariam unidos mais por inércia do que por gosto.
Alguns dizem que a rotina e a proximidade desgastam os sentimentos. Ou seja, o apaixonamento sempre é fruto de alguma idealização, e de perto ninguém parece ideal por muito tempo. Será que o remédio seria manter a distância para não enxergar as falhas do outro?
Respondo: amar não significa não enxergar os defeitos do outro, mas achar graça neles. Uma amiga perde um celular por semana; ela sabe que uma relação amorosa está acabando no dia em que seu homem, em vez de achar graça na sua desatenção, irrita-se com seu descuido.
Outros acusam o tédio. A novidade (valor mor da modernidade industrial) seria o ingrediente essencial (e, por definição, efêmero) do casal feliz. Ou seja, felizes são só os recém-casados.
Respondo: todos nós, neuróticos, amamos a repetição e a praticamos com afinco. A rotina, portanto, não deveria nos afastar do amor.
Volto, portanto, à pergunta: por que um casal acaba? Levantei a questão no Twitter, e @M_Angela_ Jesus me escreveu que, segundo Anaïs Nin, os casais não morrem nunca de morte natural, mas por falta de cuidados, de atenções e de esforços.
A citação me levou a pensar nos meus próprios casamentos fracassados; não cheguei a resultado algum, salvo o fato de que não deveríamos chamar necessariamente de fracasso um amor que acaba; erigir a duração em valor é uma ideia perigosa, que pode transformar separações bem-vindas e necessárias em processos laboriosos e infinitos.
No meio dessas reflexões, no domingo, fui assistir a "Namorados para Sempre", de Derek Cianfrance, que me tocou fundo, por ser justamente a história de um amor que não é mais possível. Isso, sem que os protagonistas consigam saber por que "não dá mais": nenhum deles é o vilão da crise, e nenhum deles é capaz de dizer o que está errado e deveria mudar para que o casal tivesse uma chance.
A julgar pela idade aparente da filha, o casal do filme dura há mais ou menos cinco anos. Em cinco anos, os namorados que, no primeiro encontro, haviam dançado e cantado na rua, cheios de alegria e de encantamento, transformaram-se num casal de estranhos que se encaram antes de se enxergar.
O que aconteceu? Não há resposta. Essa é a força do filme, que acua cada espectador a se perguntar o que foi que aconteceu a cada vez que ele ou ela amou, e o amor se perdeu.
Não é preciso que haja discordância brutal, traição ou desamor para que um casal se perca. Claro, é sempre possível racionalizar e apontar causas: no caso do filme, ao longo dos cinco anos, talvez ela tenha "crescido" profissionalmente (como se diz) e alimente agora ambições que ele não pode compartilhar porque, para ele, o casamento e a filha continuam sendo as únicas coisas que importam. Pode ser.
Mas talvez o fim de um amor seja um fenômeno tão misterioso quanto o apaixonamento. Talvez existam duas mágicas opostas, igualmente incontroláveis, uma que faz e outra que desfaz.
# Publicado na Folha de São Paulo de 16/06/11
quarta-feira, 18 de maio de 2011
A Procura do apartamento perfeito..na Cidade Baixa
Quem disse que as mulheres são indecisas nunca acompanhou um homem procurando apartamento para morar.
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